O INCIDENTE
Na manhã do dia seguinte, de volta ao centro de controle da missão, a tripulação se reúne para o briefing marcado às 8:00h.
- Estamos todos aqui? - pergunta o comandante.
- Senhor, estão atrasados Sra Perséfone e Sr. Plutão von Hades. - O Capitão também notou a ausência de Baco von Dionísio, mas como dizia o ditado: "É bom demais para ser verdade".
- E o Sr. Baco, posso ver. Como vocês esperam que cheguemos até Marte se antes de começar já estamos atrasados? Eu não acredito nisso.
- Senhor, devo colocar meus homens nas ruas? - O capitão poderia muito bem tomar suas próprias decisões, se quisesse, afinal o Comandante tinha uma patente inferior. Ora, o Capitão poderia dominar o mundo se quisesse. Mas os militares tem uma filosofia de vida acima do bem e do mau, sem levar em conta orgulhos e desejos, acima de tudo vem o dever. E nesse momento, seu dever era de fazer tudo o que o filhinho almofadinha do presidente quisesse.
- Obrigado Capitão, mas acredito que tropas militares revistando casas e ruas pegaria muito mal para nossa imagem como missão de paz. Os homens do presidente cuidarão disso. - Um pensamento lhe passou pela cabeça, quando foi a última vez que ele disse a palavra pai? Uma noite chuvosa, um relâmpago, uma limousine indo embora, o vidro da janela subindo, a mão do sargento em seu ombro. As lembranças mais difíceis de esquecer são as piores.
- Sr. Júpiter von Zeus, hoje de manhã eu passei pelo quarto de hotel de minha filha, ela me disse que se atrasaria uns minutos devido a uma indisposição estomacal. Como o senhor sabe, somos membros da Congregação Renascidos de Hércules, e essas comidas artificiais da cidade nos fazem mal. - Pobre Dr. Saturno Cronos, em sua inocência de pai amoroso e religioso fiel, nunca passaria pela sua cabeça que sua filha na verdade passou a noite dançando e bebendo na companhia de seu afeto secreto, Dr. Plutão von Hades. Aliás, essa não é a pior parte. Dr. Plutão é filho de pais Troianos, idolatravam Hera, a mulher que tentou matar Hércules no berço com duas serpentes. Algumas vezes chegou a desconfiar, mas imediatamente sua fé e devoção os fazem cair de joelhos e pedir perdão pelos pensamentos impuros.
- Não precisa ser evangélico para passar mal com essa comida de hotel, doutor. Fique tranquilo por favor. - Não somente o comandante, mas todos no planeta tinham muito afeto e respeito pelos Renascidos de Hércules. Não respeito intelectual, é claro, pois eram considerados loucos e crianças inocentes, achar que Hércules voltaria a nascer para lutar contra os titãs do mundo de novo. Mais um respeito como uma amizade, uma confiança de que são inofensivos, apesar de um pouco reclusos e de um certo ar de superioridade.
- Capitão, Comandante. Estou preocupado com Baco. Sabendo de seu histórico de abusos, eu sinto que ele pode ter ido longe demais dessa vez. - Dr. Hypnossono sabia, através de sua capacidade mediúnica, que certas pessoas tem uma habilidade de sentir coisas que não vemos. Ele não sabia definir com clareza científica como funciona essa habilidade, outrora conhecida como "Oráculo de Delfos", e nunca ousaria revelar a ninguém sua descendência direta do Oráculo. Conta a lenda que o Imperador Alexandre XLVI consultou o Oráculo pouco antes da Batalha de Waterloo, e devido ao resultado desastroso, sua credibilidade foi destruída e o grande templo demolido em ruínas. "Deus nos usa de Seus instrumentos, devemos fazer a Sua vontade." dizia Hypnossono para si mesmo.
Entra na sala Perséfone, com uma aparência horrível, olheiras, a voz rouca, o cheiro de colônia misturado com cigarro e cerveja ransosa, que na sua pressa esquece de fazer a saudação característica da sua fé para seu pai, que nesse momento está em dúvida se deve sentir pena da filha, ou vergonha.
- Senhores, desculpa o atraso, eu não dormi direito, meu pai já explicou porque, vamos prosseguir.
- Sangue de Hércules te cubra, filha.
- Aos 12 trabalhos hoje e sempre, pai.
- Onde está o Dr. Plutão von Hades? - Todos já tinham entendido perfeitamente tudo que havia acontecido na noite anterior, exceto é claro, o inocente e religioso pai orgulhoso.
- Eu vi ele estacionar o carro quando entrei, daqui a pouco ele estará aqui. O que eu perdi da reunião? - tentando desviar o assunto como sempre, já que pediu para o geólogo que aguardasse uns minutos lá fora, assim os dois não seriam vistos juntos.
- Então vamos assumir que Sr. Baco von Dionísio realmente precisa de ajuda para chegar até aqui, como sugeriu Dr. Hypnossono, com licença que preciso fazer uma ligação para a segurança do presidente, vamos adiar a reunião para as 10h, acho que será o suficiente. - Duas coisas que o comandante odiava muito, ligar para seu pai, e fazer papel de incompetente na frente de todos. Baco vai pagar.
- Senhor Presidente, temos uma situação com o Sr. Baco von Dionísio, preciso de ajuda para localizá-lo.
- Um momento, vou acionar a segurança, não desliga.
Momentos depois. - Comandante, Sr. Baco não se registrou em seu quarto de hotel ontem à noite, seu celular não atende, seu carro e suas roupas estão intactos. Ele desapareceu.
- FILHO DA MEDUSA. Eu nunca deveria ter confiado nesse imbecil, ele não consegue ficar vivo, quieto, sentado em uma cadeira lendo um livro, até o final dessa que é só, SÓMENTE, a missão mais importante da história da humanidade. É melhor para ele que seus homens o encontrem antes de mim, Sr. Presidente.
- Calma comandante. Como o Sr bem sabe, vivemos em tempos de paz, apesar dos religiosos. Sr. Baco, sendo Ateu, deve ter se desentendido em alguma briga de bar, e agora deve estar dormindo em alguma lixeira. Vamos encontrá-lo. - Apesar de suas palavras encorajadoras, o presidente nunca se enganou. Finalmente os religiosos conseguiram ferrar com a missão de seu filho, a missão que "enfiaria o dedo no olho dos Deuses", como declarou um dos líderes das inúmeras seitas do planeta. Essa missão era muito importante para o Presidente, já que a colonização de uma terra distante e fora do alcance do poder religioso seria um símbolo de liberdade intelectual para seu povo. "Meu Deus, se o olho de Hórus von Osíris pegou Baco, vamos encontrá-lo amarrado em um foguete com 50Kg de dinamite amarrado no peito." pensou ele, temendo que o maior inimigo da Democracia fizesse mais uma insanidade contra ele. Ataques suicidas entre os membros do olho eram comuns.
De volta à cidade, em um quarto mau iluminado, de paredes escuras e mau cheirosas de tanta humidade, sem janelas, o ar viciado sufocava o machucado e amordaçado Baco, que lutava para não perder a consciência e ao mesmo tempo não engasgar com o sangue que descia pelo seu nariz quebrado. Sendo Ateu, seus pensamentos eram uma mistura confusa de ódio e vingança, marinados no molho do medo e desespero. Nenhum pensamento lhe trazia esperança, "É o fim." dizia ele. Passos no corredor ecoam pelas paredes, um homem parece um exército marchando em sua direção. O homem se abaixa e encara calmamente o rosto coberto por um saco de pano, sua respiração lenta e pesada a centímetros do assustado piloto, como se o próprio Demônio Volcano estivesse ali. Em um movimento brusco, o saco lhe é arrancado da cabeça, o susto quase lhe faz borrar as calças. A luz cega seus olhos viciados na escuridão, ele não reconhece o rosto do agressor, apenas um vulto, ombros largos, paletó marrom um tom mais claro que a pele, cabeça redonda sem cabelos.
- Senhor Baco, lembre-se de nossa conversa. Se tudo correr bem, nós lhe faremos o homem mais rico do planeta, dinheiro, mulheres, poder, tudo. Você pode ir embora agora. Não preciso dizer que o preço da traição é pior que a morte.
- Sim, eu juro. Eu juro.
Saindo do quarto mofado, seus olhos ainda sensíveis, parece que ele está em uma propriedade rural abandonada, sabe-se lá onde. Uma velha caminhonete o espera de porta aberta e o motor já ligado. Ele está com muita dor, e sua visão ainda embaralhada, mas era o único jeito de sair dali. Fazia parte da conversa a desculpa convincente de que Baco teria cantado a mulher de um Marinheiro, que então teria chamado 3 amigos para lhe ensinarem uma lição. Não era a primeira vez, embora nunca com tantos ferimentos. Uma hora depois, em um posto de beira de estrada, uma ligação para o governo, um helicóptero, um leito no hospital.
De volta ao centro de treinamento, pai e filho conversam, fingindo serem completos estranhos. A equipe científica estava preparada, na quarentena, tomando seu terceiro ou quarto banho químico, na esperança de não levar nenhuma peste mortal até o virgem planeta arenoso. O foguete estava sendo abastecido, e o efeito de aurora boreal da contenção magnética da anti-matéria provocava suspiros e gritos animados dos convidados da imprensa, testemunhas de uma nova era de avanços científicos, e talvez sociais, na precária balança do poder na nova Democracia de Gaia, uma guerra fria entre cientistas e religiosos. As discussões eram sempre as mesmas, devemos perseguir a matéria como caminho até a divindade, ou isso seria uma ofensa, que a criatura buscasse ser melhor que seus mestres?
- Ele vai continuar mesmo assim? Não parece ser coisa dele... - O Comandante conhecia bem Sr. Baco para saber que ao primeiro sinal de perigo, ele seria o primeiro a se esconder em baixo da cama. Mas dessa vez, sua atitude corajosa seria motivo de desconfiança. Ele teria segundas intenções em prosseguir com a missão, mesmo depois de ter sido dispensado pelos médicos?
- Sr. Baco von Dionísio insistiu muito. - Após o fim da guerra santa, quando o Estado e a Igreja foram finalmente separados em dois poderes paralelos, uma das tentativas de pacificar os povos rivais foi o de forçar a formalidade de sempre que for se referir a uma pessoa, seja amigo ou inimigo, era usual a formalidade Senhor(a) Nome von Pai(mãe). Uma pequena massagem no orgulho ferido, mas que trouxe resultados interessantes para a paz. - Além disso, Comandante, eu de minha parte vou permitir que ele prossiga porque, apesar da dispensa médica, ele não tem nenhum ferimento grave, nenhum osso quebrado e nenhum órgão interno rompido. Parece que a surra que ele levou foi apenas para amaciar a carne, seus amigos marinheiros foram muito generosos.
- Eu diria que se um marinheiro bêbado que não consegue quebrar um braço é um novato muito incompetente. Eu vou escolher acreditar na sorte do Sr. Baco von Dionísio, porque a alternativa é que ele foi torturado para algum fim nefasto. Espero não estar cometendo um erro.
- Filho, olha pra mim. - "Filho?", a palavra veio como um tapa na cara do Comandante, seu olhar assustado quase derrubou uma lágrima do velho e liso político. O velho tinha um coração escondido em alguma gaveta daquela carcaça blindada? - Eu sei o que você está pensando, que eu arrumei essa missão maluca pra ferrar com você enquanto meus inimigos derrubam o foguete e eu saio de vítima inocente dessa história. Mas eu juro, pelos deuses, pelo o que você quiser, que eu fiz de tudo para proteger você e sua missão. Eu sei que nunca fui seu pai. Na minha cabeça, eu sempre pensei comigo mesmo: "Vou dar ao meu filho o que sempre pedi de meu pai, que ele fosse embora.". É difícil para mim admitir meus erros, mas esse é fácil. Eu vejo em seus olhos, e você pode ver nos meus, que apesar da distância, existe amor entre nós. Eu errei, e você nunca vai me perdoar eu sei. Tive medo, FUI COVARDE, - de repente a conversa discreta chamou a atenção de algumas pessoas do centro - fui covarde em não tentar ser um pai melhor que seu avô, eu sei agora que deveria ter tentado. Mas...
- Sr. Presidente - o Comandante lutava contra a vontade de abraçar o velho - eu sou o melhor capitão do exército democrático. Mas eu recusei a promoção para Major, e você sabe porque? Porque eu sei que assim que eu botasse um pé no poder, minha herança de família roubaria minha vida. Acho que a covardia também é hereditária. - O comandante virou as costas para o que agora lhe parecia apenas mais um velho doente esperando um ônibus que nunca viria. O que ele esperava? Depois de uma vida lutando para fechar a ferida, o velho chega com uma faca quente, no dia mais importante de sua carreira? Não, essa conversa não poderia ter tido um tempo pior, não agora.
- Foguete abastecido, tripulação vestida e imprensa calada. Tudo pronto para seu discurso, Sr. Presidente.
- Obrigado Capitão. - O velho era mestre em guardar suas emoções para depois, agora ele só precisava de um gole de Absinto 75%, que trazia consigo na garrafinha do paletó. Todos prontos, a saraivada de flashs poderia causar um ataque epilético em uma estátua de mármore. Ele odiava isso.
Na coletiva de imprensa, agora ao ar livre, um professor de ciências tentava explicar o funcionamento da nova tecnologia de viagem espacial sem fumaça.
- E então, como vocês devem saber, se a anti-matéria tocar a matéria normal, acontece uma enorme explosão. Mas nós desenvolvemos um método de conter a anti-matéria de forma que ela pudesse ser manuseada com segurança. Um recipiente toroidal, que vocês costumam chamar de "rosquinha", aquele bolinho com um furo no centro, faz a antimatéria girar em uma trajetória circular na velocidade de 99% a da luz, provocando um grande campo magnético de forma esférica que envolve todo o recipiente. No eixo perpendicular, centralizado com o furo, surge uma dobra no espaço, uma força resultante para cima normal ao plano, que faz com que todo o aparato fique sem peso, preso no espaço como um carrapato em um cachorro, HARAN, HARAN, HARAN - essa é sem dúvida a risada mais panaca do mundo. Ajeitando o óculos o professor continua a explicação, e a platéia continua a fingir interesse, até que o Sr. Presidente entra na sala, e é recebido com uma salva de palmas, não tanto com respeito mas sim como agradecimento por interromper o cientista.
- Povo de Gaia, senhores acadêmicos e religiosos, estamos todos aqui, JUNTOS, reunidos para honrar igualmente a história humana e os deuses. - Uma pausa estratégica para ler os olhares da multidão, procurando algum fanático ofendido. Por enquanto tudo bem. - Esse momento é um sonho que se realiza para todos nós, a solda que irá unir nossa civilização como um só povo, UNIDO, - pensando bem, agora que ele está dizendo em voz alta, seu discurso ensaiado no banheiro do hotel ficou meio babaca, pensou ele. - unido em uma causa comum. Pela primeira vez na história, o Homem irá colonizar outro planeta, em paz, para explorar e complementar todas as nossas necessidades, para que nossas crianças nunca mais passem fome, frio ou sede. - Agora ele tinha certeza, esse discurso está horrível, todos sabem que em Marte não tem água. Droga, malditos secretários - Para provar minha sinceridade - O que ele está fazendo? pensou seu secretário, ouvindo as palavras que não estavam no discurso - eu envio ao cosmos o meu único filho, o bem mais precioso que eu tenho na vida, para ele arrisque a dele, e nos traga de volta a esperança de um futuro melhor para vocês todos. Obrigado.
O desabafo inesperado surpreendeu a todos, principalmente o Comandante que teve de se retirar às pressas. Após um breve silêncio, a platéia estupefata começa a aplaudir histericamente, muitas lágrimas emocionadas. Em um breve momento, os olhos parados e robóticos do Capitão ganham vida e buscam alguém na multidão. Um homem em particular lhe chama a atenção. Suas palmas, lentas e ritmadas, testemunham seu descontentamento bem disfarçado. Com seu olhar vidrado, avermelhado, seu rosto escondido atrás dos flashs das câmeras, nenhum sinal foi feito, nenhuma piscada. Como se fosse um telepata, o Capitão compreende a mensagem e acena discretamente com a cabeça, nada precisava ser dito, todos sabiam o que deveriam fazer, os dados da sorte estavam rolando.
Pouco tempo depois, a contagem inicia:
- 10, sistemas verdes, 7, pré-ignição OK, fluxo de plasma OK, 3, 2, 1, FOGO.
Todos esperavam um estrondo e uma nuvem de fumaça, o ar quente em alta velocidade batendo no peito como os antigos foguetes à Lua faziam, mas para a decepção de todos, apenas um zumbido de baixa frequência, uma bola de luz roxa de ar ionizado se formando ao redor da nave que agora sem peso ascendia verticalmente a uma velocidade constante, como uma bexiga de hélio de uma festa infantil. Em desabafo, um repórter deixa escapar um suspiro - Maldita anti-matéria - que é seguida por muitas risadas dos colegas de profissão. Um homem na platéia não estava entretido. O lenço tirado do bolso do paletó revelava nas costas da mão a tatuagem do olho, ao secar o suor da cabeça careca.
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sábado, 15 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Fantasmas de Marte - Capítulo 2
O OUTRO PREFÁCIO
O céu estava lindo, como sempre. O pequeno Sol e a atmosfera transparente mostravam estrelas 24h por dia. Os tons vermelhos e amarelos em constante movimento sempre fascinaram a pequena Anuket, que gostava muito de deitar de costas na grama baixa, na encosta de um morro baixo, mas que era o suficiente para se esconder de seu pai. Talvez o morro devesse ser um pouco mais distante, porque ainda sim sua paz interior era interrompida pelos gritos histéricos de Seth.
- ANUKET, VOLTA JÁ AQUI AGORA! Eu juro pra você Ísis, um dia desses essa menina vai me matar. Meu coração não aguenta isso todo dia! Só por Rá.
- Eu estou mais preocupada com seu fígado do que seu coração querido, porque você não me dá esse copo de cerveja e senta um pouco, eu vou lhe fazer aquela codorna assada que você adora. Vem querido, por Rá. - Disse Ísis, a mãe carinhosa e esposa fiel, talvez fiel de mais. Ísis tinha um bom coração, mas nunca se punha entre a bebedeira de Seth e os tapas e hematomas de Anuket. Esse pecado lhe corroía a alma por dentro, lhe roubando toda a sua beleza que tinha de solteira, lhe deixando com a aparência de idosa frágil e doente. Isso e a desobediência da filha alimentavam o ódio e a cólera em Seth, que sabia bem como afogar suas mágoas, e assim por diante eternamente.
Era uma comunidade rural, afastada do único centro urbano do planeta, Heliópolis. Não era comum que as pessoas viajassem, e se fosse necessário, uma comunicação formal deveria ser enviada pelo mensageiro até a capital, e aguardar a resposta oficial junto com o trajeto e as permissões oficiais. A palavra liberdade tinha outro significado para aquele povo, muito diferente do que nós estamos acostumados. Hoje em dia nós abertamente repudiamos e ofendemos nossos líderes, contestamos as ordens de nossos pais e patrões, escrevemos blogs e twitters malcriados. Não para essa gente, que se auto-denomina filhos do Sol Rá. Liberdade para eles significava apenas que eles poderiam permanescer vivos, desde que não houvesse motivo para perder esse privilégio.
Parece cruel, mas na verdade, é impossível o peixe dourado ter saudades do oceano se ele for nascido e criado no aquário. Não, apesar de tudo, era um povo muito feliz, grato a Rá pela sua existência e pelas dádivas que lhe eram (raramente) concedidas. Todos exceto uma pequena menina sonhadora, inocente mas muito esperta, a pequena Anuket, que nunca tirava os olhos das estrelas, imaginando como seria a vida dos outros filhos dos outros irmãos de Rá. E o fato de que a atmosfera era meio transparente e rarefeita, não ajudava a tirar a cabeça da menina das estrelas diurnas, mais um dos fatos que deixava Seth com sede, muita sede.
O céu nunca foi um problema para esse povo. Nunca tiveram ilusões científicas, como por exemplo se achar o centro do Universo, ou achar que são os únicos filhos de Deus. Mas o conhecimento só gera frutos racionais se for diretamente explorado, o que não era o costume dessa cultura. Ninguém tinha permissão de estudar nada além do Livro dos Vivos, a única fonte de conhecimento oficial do governo do Faraó. É claro que Anuket havia lido o livro todo, que aliás era tão pequeno que poderia ser lido em um ano, nesse caso 687 dias. Apesar da inocência da menina, ela sentia no fundo de sua alma que 90% do livro eram apenas propaganda, mentiras inventadas pelo faraó para se afirmar "A encarnação do Sol na Terra", o único e verdadeiro deus em forma de homem.
Anuket era mais esperta que isso, e ela achava que podia provar para ela mesma um dia. Por isso era tão fascinada pelo céu. Á noite, sua estrela preferida aparecia, o olho de Ankh, azul vivo, rodeada por uma bola cinza, que lhe dava a ilusão óptica de ser um olho que tudo via no Universo. Para os filhos de Rá, a vida era uma prova de lealdade a Deus Sol. Quem fosse um bom súdito, seria então levado a uma existência no paraíso de Ankh, o olho que tudo vê, e seria então educado nos segredos de Rá para servi-lo no Universo. Aqueles rebeldes e julgados incapazes, seria queimados no fogo de Hórus, tão grande e vermelho que poderia ser visto quase 18h por dia no céu, um eterno lembrete de obediência ao único Deus.
Só haviam dois motivos para Anuket voltar para casa e arriscar mais um hematoma, seu fiel companheiro, o gato Ammut, ou seu irritante e ao mesmo tempo interessante marido prometido, o mensageiro Real Khnum. Irritante porque Khnum era fiel ao faraó em todos os sentidos, uma máquina obediente que não tinha vontade própria, se o Faraó dissesse "morra", seu coração não ousaria a blasfêmea de dar nem mais uma batida. Mas para a frustação da jovem curiosa, o mecanizado cabeça-oca Khnum era um mensageiro Real, e isso significava que ele poderia viajar para qualquer lugar do reino a qualquer hora sem um passe oficial, e ele era a única fonte de informação disponível aos camponeses. Nessa hora, a única na verdade, Seth e Anuket se sentavam juntos à mesa, para ouvirem interessados a tudo que Khnum tinha a dizer. Ísis o tratava mais do que a um filho, o fazia de o próprio filho de Rá, e isso era um dos motivos de suas constantes visitas, além é claro da beleza sobrenatural de Anuket.
- Trago boas notícias do faraó Rá - todos os faraós se chamavam Rá. Na verdade, quando o faraó morria, imediatamente um de seus filhos ocupava-lhe o lugar, dando a ilusão que o faraó era imortal. - Devido à farta colheita de cevada este verão - Seth não esperou o jovem terminar, já pulou da mesa e agarrou Ísis pelas mãos, girando de alegria. - a ração de cerveja para o próximo período será 10% menos diluída. O pão conterá 15% menos fibra - Anuket suspirou aliviada, essa fibra de papiro é muito indigesta. Na verdade é a mesma que faz suas roupas e os cobertores. - E mais uma coisa. O festival da colheita terá um dia a mais, e por isso, eu tenho ordens de distribuir mais passaportes para os trabalhadores da limpeza.
Não havia honra maior para um camponês do que servir na equipe de limpeza do festival. Durante vários dias, toda a corte do faraó e os nobres do reino dançavam nus bebendo cerveja, dançando e fazendo orgias até caírem no chão inconscientes. Os servos da limpeza deveriam então entrar no salão correndo, sem encostar em nenhum nobre porque isso é pecado, punível com a morte, e evitar que o desmaiado se afogue no próprio vômito. O nobre deveria acordar então em sua cama, de banho tomado, devidamente vestido e pronto para voltar à ação. Honra essa que a pequena Anuket já recusou uma vez, e seria muito difícil escapar dessa vez.
- Anuket, minha querida, eu me arrisquei muito ao pedir um favor para meu chefe. Eu pedi que ele incluísse seu nome no passaporte, para que assim você pudesse ficar em segurança durante o festival, sem medo de ser "possuída". - Os camponeses usavam o termo "possuído" para o servo que fosse "achado" por um nobre. Ele seria então marcado como seu escravo pessoal e levado até Heliópolis, e nunca mais seria visto. Mas um passaporte marcado com o próprio nome do servo é o mais próximo de liberdade que um camponês poderia sonhar, ser dono de si mesmo.
- VOCÊ O QUE, SEU IDIOTA! - Anuket explode de raiva e corre até a porta mas então algo a faz parar. Um pensamento começa a nascer em seu brilhante intelecto. Uma imaginação, imagens em movimento, como nunca tinha visto antes. Ela se imaginou com o passaporte seguro, desviando dos milhares de nobres bêbados tarados, que sem pensar duas vezes a possuiríam de imediato. Ela se viu saindo discretamente do salão principal, em direção ao interior do palácio, portanto o passaporte e dizendo aos guardas que precisava de roupas limpas para um nobre qualquer. Nesse momento as imagens desapareceram, sua imaginação não era capaz de entrar no palácio, não sem nunca ter estado lá. Ela precisava estar lá. Imediatamente, e para a surpresa de todos, sua voz doce e suave retornou.
- Desculpa, desculpa querido. Eu entendi outra coisa. Achei que você tinha dito que eu seria possuída pelo seu chefe, mas daí percebi que isso não faz sentido. HAHAHA. - Anuket força sua mais estúpida risada infantil, e o susto de todos se transforma em alegria, todos pensando que a menina bobinha estivesse com a cabeça nas estrelas, de novo. Sua cabeça estava sempre nas estrelas, sonhando sim. Mas nem por um momento Anuket seria considerada boba ou maluca, não. Ninguém daquele povo simples e ignorante poderia imaginar o que o destino, traçado pelo próprio Rá, faria dessa pequena menina a última esperança de um povo e seu futuro.
O céu estava lindo, como sempre. O pequeno Sol e a atmosfera transparente mostravam estrelas 24h por dia. Os tons vermelhos e amarelos em constante movimento sempre fascinaram a pequena Anuket, que gostava muito de deitar de costas na grama baixa, na encosta de um morro baixo, mas que era o suficiente para se esconder de seu pai. Talvez o morro devesse ser um pouco mais distante, porque ainda sim sua paz interior era interrompida pelos gritos histéricos de Seth.
- ANUKET, VOLTA JÁ AQUI AGORA! Eu juro pra você Ísis, um dia desses essa menina vai me matar. Meu coração não aguenta isso todo dia! Só por Rá.
- Eu estou mais preocupada com seu fígado do que seu coração querido, porque você não me dá esse copo de cerveja e senta um pouco, eu vou lhe fazer aquela codorna assada que você adora. Vem querido, por Rá. - Disse Ísis, a mãe carinhosa e esposa fiel, talvez fiel de mais. Ísis tinha um bom coração, mas nunca se punha entre a bebedeira de Seth e os tapas e hematomas de Anuket. Esse pecado lhe corroía a alma por dentro, lhe roubando toda a sua beleza que tinha de solteira, lhe deixando com a aparência de idosa frágil e doente. Isso e a desobediência da filha alimentavam o ódio e a cólera em Seth, que sabia bem como afogar suas mágoas, e assim por diante eternamente.
Era uma comunidade rural, afastada do único centro urbano do planeta, Heliópolis. Não era comum que as pessoas viajassem, e se fosse necessário, uma comunicação formal deveria ser enviada pelo mensageiro até a capital, e aguardar a resposta oficial junto com o trajeto e as permissões oficiais. A palavra liberdade tinha outro significado para aquele povo, muito diferente do que nós estamos acostumados. Hoje em dia nós abertamente repudiamos e ofendemos nossos líderes, contestamos as ordens de nossos pais e patrões, escrevemos blogs e twitters malcriados. Não para essa gente, que se auto-denomina filhos do Sol Rá. Liberdade para eles significava apenas que eles poderiam permanescer vivos, desde que não houvesse motivo para perder esse privilégio.
Parece cruel, mas na verdade, é impossível o peixe dourado ter saudades do oceano se ele for nascido e criado no aquário. Não, apesar de tudo, era um povo muito feliz, grato a Rá pela sua existência e pelas dádivas que lhe eram (raramente) concedidas. Todos exceto uma pequena menina sonhadora, inocente mas muito esperta, a pequena Anuket, que nunca tirava os olhos das estrelas, imaginando como seria a vida dos outros filhos dos outros irmãos de Rá. E o fato de que a atmosfera era meio transparente e rarefeita, não ajudava a tirar a cabeça da menina das estrelas diurnas, mais um dos fatos que deixava Seth com sede, muita sede.
O céu nunca foi um problema para esse povo. Nunca tiveram ilusões científicas, como por exemplo se achar o centro do Universo, ou achar que são os únicos filhos de Deus. Mas o conhecimento só gera frutos racionais se for diretamente explorado, o que não era o costume dessa cultura. Ninguém tinha permissão de estudar nada além do Livro dos Vivos, a única fonte de conhecimento oficial do governo do Faraó. É claro que Anuket havia lido o livro todo, que aliás era tão pequeno que poderia ser lido em um ano, nesse caso 687 dias. Apesar da inocência da menina, ela sentia no fundo de sua alma que 90% do livro eram apenas propaganda, mentiras inventadas pelo faraó para se afirmar "A encarnação do Sol na Terra", o único e verdadeiro deus em forma de homem.
Anuket era mais esperta que isso, e ela achava que podia provar para ela mesma um dia. Por isso era tão fascinada pelo céu. Á noite, sua estrela preferida aparecia, o olho de Ankh, azul vivo, rodeada por uma bola cinza, que lhe dava a ilusão óptica de ser um olho que tudo via no Universo. Para os filhos de Rá, a vida era uma prova de lealdade a Deus Sol. Quem fosse um bom súdito, seria então levado a uma existência no paraíso de Ankh, o olho que tudo vê, e seria então educado nos segredos de Rá para servi-lo no Universo. Aqueles rebeldes e julgados incapazes, seria queimados no fogo de Hórus, tão grande e vermelho que poderia ser visto quase 18h por dia no céu, um eterno lembrete de obediência ao único Deus.
Só haviam dois motivos para Anuket voltar para casa e arriscar mais um hematoma, seu fiel companheiro, o gato Ammut, ou seu irritante e ao mesmo tempo interessante marido prometido, o mensageiro Real Khnum. Irritante porque Khnum era fiel ao faraó em todos os sentidos, uma máquina obediente que não tinha vontade própria, se o Faraó dissesse "morra", seu coração não ousaria a blasfêmea de dar nem mais uma batida. Mas para a frustação da jovem curiosa, o mecanizado cabeça-oca Khnum era um mensageiro Real, e isso significava que ele poderia viajar para qualquer lugar do reino a qualquer hora sem um passe oficial, e ele era a única fonte de informação disponível aos camponeses. Nessa hora, a única na verdade, Seth e Anuket se sentavam juntos à mesa, para ouvirem interessados a tudo que Khnum tinha a dizer. Ísis o tratava mais do que a um filho, o fazia de o próprio filho de Rá, e isso era um dos motivos de suas constantes visitas, além é claro da beleza sobrenatural de Anuket.
- Trago boas notícias do faraó Rá - todos os faraós se chamavam Rá. Na verdade, quando o faraó morria, imediatamente um de seus filhos ocupava-lhe o lugar, dando a ilusão que o faraó era imortal. - Devido à farta colheita de cevada este verão - Seth não esperou o jovem terminar, já pulou da mesa e agarrou Ísis pelas mãos, girando de alegria. - a ração de cerveja para o próximo período será 10% menos diluída. O pão conterá 15% menos fibra - Anuket suspirou aliviada, essa fibra de papiro é muito indigesta. Na verdade é a mesma que faz suas roupas e os cobertores. - E mais uma coisa. O festival da colheita terá um dia a mais, e por isso, eu tenho ordens de distribuir mais passaportes para os trabalhadores da limpeza.
Não havia honra maior para um camponês do que servir na equipe de limpeza do festival. Durante vários dias, toda a corte do faraó e os nobres do reino dançavam nus bebendo cerveja, dançando e fazendo orgias até caírem no chão inconscientes. Os servos da limpeza deveriam então entrar no salão correndo, sem encostar em nenhum nobre porque isso é pecado, punível com a morte, e evitar que o desmaiado se afogue no próprio vômito. O nobre deveria acordar então em sua cama, de banho tomado, devidamente vestido e pronto para voltar à ação. Honra essa que a pequena Anuket já recusou uma vez, e seria muito difícil escapar dessa vez.
- Anuket, minha querida, eu me arrisquei muito ao pedir um favor para meu chefe. Eu pedi que ele incluísse seu nome no passaporte, para que assim você pudesse ficar em segurança durante o festival, sem medo de ser "possuída". - Os camponeses usavam o termo "possuído" para o servo que fosse "achado" por um nobre. Ele seria então marcado como seu escravo pessoal e levado até Heliópolis, e nunca mais seria visto. Mas um passaporte marcado com o próprio nome do servo é o mais próximo de liberdade que um camponês poderia sonhar, ser dono de si mesmo.
- VOCÊ O QUE, SEU IDIOTA! - Anuket explode de raiva e corre até a porta mas então algo a faz parar. Um pensamento começa a nascer em seu brilhante intelecto. Uma imaginação, imagens em movimento, como nunca tinha visto antes. Ela se imaginou com o passaporte seguro, desviando dos milhares de nobres bêbados tarados, que sem pensar duas vezes a possuiríam de imediato. Ela se viu saindo discretamente do salão principal, em direção ao interior do palácio, portanto o passaporte e dizendo aos guardas que precisava de roupas limpas para um nobre qualquer. Nesse momento as imagens desapareceram, sua imaginação não era capaz de entrar no palácio, não sem nunca ter estado lá. Ela precisava estar lá. Imediatamente, e para a surpresa de todos, sua voz doce e suave retornou.
- Desculpa, desculpa querido. Eu entendi outra coisa. Achei que você tinha dito que eu seria possuída pelo seu chefe, mas daí percebi que isso não faz sentido. HAHAHA. - Anuket força sua mais estúpida risada infantil, e o susto de todos se transforma em alegria, todos pensando que a menina bobinha estivesse com a cabeça nas estrelas, de novo. Sua cabeça estava sempre nas estrelas, sonhando sim. Mas nem por um momento Anuket seria considerada boba ou maluca, não. Ninguém daquele povo simples e ignorante poderia imaginar o que o destino, traçado pelo próprio Rá, faria dessa pequena menina a última esperança de um povo e seu futuro.
sábado, 8 de novembro de 2014
Fantasmas de Marte - Capítulo 1
Minha tentativa de livro, chamado "Fantasmas de Marte", escrito por mim Daniel Andrighetti Moraes, essa obra não está registrada em lugar nenhum, então se você for ganhar dinheiro com isso, pelo amor de Deus me manda um cheque e uma caixa de Heineken. Obrigado.
FANTASMAS DE MARTE
PREFÁCIO
Na agitada e barulhenta conferência de imprensa, estão sentados à mesa toda a equipe científica da missão, prontos a se apresentarem.
- Sr. Presidente, como o senhor responde às críticas da oposição dizendo que essa missão não passa de uma forma de glorificar seu filho nos anais da história desperdiçando dinheiro público?
O Presidente, político experiente como provam seus cabelos brancos, sabe que nunca se responde uma pergunta direta com uma resposta direta. Não, ele sabe melhor que isso para não ser pego na armadilha da imprensa. Tomou um gole de água, tirou um lenço do bolso, esfregou seus óculos e aguardou a ansiedade crescer nos olhares da imprensa. "Tubarões canibais", pensou ele em desabafo.
- Sra. Minerva Van Atena, quero agradecer a todos por terem vindo aqui hoje para testemunhar esse dia histórico. História, Sra. Minerva, não é assunto político, nem econômico, nem para poucos privilegiados. A história da humanidade é feita por todos nós, dia a dia, ação por ação. Se a história tem problemas de memorização, se alguns fatos são lembrados errados e outros esquecidos, certamente meus opositores concordarão que não é culpa minha. (risos na platéia). Eu convoquei todos aqui para um único propósito. A história será feita, e esse fato é inevitável. Eu, não como presidente das nações unificadas de Gaia, mas simplesmente como o homem, Sr. Netuno Von Poseidon, farei tudo que for possível para que a história seja escrita da forma correta. No fim da história, a missão terá sido bem sucedida, e todos conhecerão a história da forma que ela realmente aconteceu. Isso é tudo sobre mim, vamos agora conhecer a equipe que será a primeira representação da humanidade a explorar e colonizar o planeta Marte, aquele que um dia foi vivo como Gaia, mas que pereceu por sua própria natureza violenta. Isso é tudo.
Como sempre, as respostas evasivas e misteriosas do presidente deixou a imprensa insandecida, alguns pularam as cadeiras e se acotovelaram para tentar extrair mais filosofia barata de um político liso feito sardinha, mas foram obviamente barrados pela segurança presidencial, com um certo esforço. Nos bastidores, o presidente não estava cansado, mas havia atuado de forma que a imprensa acreditasse assim, para que sua verdadeira intenção de não ser visto junto a seu filho fosse sabida por todos.
- Sentem-se todos por favor. Silêncio. - Pediu um assistente anônimo. - Eu peço a todos que retornem a seus lugares para começar a rodada de perguntas aos membros da tripulação. Obrigado.
Como máquinas bem programadas, a imprensa imediatamente se organizou em uma platéia quase humana e civilizada, que poderia enganar o observador inocente que não soubesse melhor.
- Comandante Júpiter Von Zeus - Um dos repórteres salta de forma tão veemente que seus colegas sabem imediatamente, que assim como se fosse um programa de televisão, aquele que bate o botão primeiro pergunta primeiro - É verdade os boatos que o senhor usa o sobrenome de solteiro de sua mãe para tentar convencer a oposição política contra o fato que o senhor foi privilegiado por ser filho de Netuno?
Normalmente, essa pergunta seria respondida com uma chuva de socos na cara, depois de ter chutado a mesa e acotovelado a turma do "deixa disso", mas essa não é a primeira vez que ele ouve essa pergunta, e não é a primeira vez que ele faz papel de otário em frente às câmeras. Não. Dessa vez, só dessa vez, ele não iria cair nessa óbvia armadilha. Mas o pensamento de socar o repórter lhe deu um breve ataque de risos.
- Sim, todos sabem que o sr. presidente é meu pai, todos sabem que minha mãe morreu quando eu tinha 8 anos, todos sabem que meu pai me mandou para uma escola internato militar, e que eu vivi toda a minha vida no exército. Mas eu pergunto a vocês. Existe algum provável candidato para minha posição que tem 22 anos de treinamento militar, medalha de honra da Câmara do Senado por bravura, Medalha Escudo de Atena por serviço exemplar no alívio do desastre do Vulcão Vesúvio, Troféu Apolo por vencer 19 das 21 modalidades olímpicas? Eu desafio o senhor, ou qualquer outro, a tomar o meu lugar. Próxima pergunta.
A imprensa sentiu o coice e perdeu temporariamente a malícia, preparando perguntas de nível mais intelectual.
- Senhor Júpiter, os opositores da missão alegam que seria irresponsável desse governo colonizar Marte, que isso traria grandes déficits econômicos em sustentar uma colônia tão distante, e isso poderia trazer de volta a guerra na nossa sociedade, agora que conseguimos a muito custo a paz mundial.
Como o comandante bem disse, ele é uma fantástica máquina física, mas quando o desafio é um papel e um lápis, a mesa leva as cicatrizes. Sabendo do calcanhar de Aquiles do comandante, e como já foi previamente ensaiado nos bastidores, o geólogo Sr. Plutão Von Hades rapidamente desliga o microfone do comandante visivelmente irritado e toma a palavra:
- Eu sou Sr. Plutão Von Hades, geólogo e membro da Academia Platão Von Sócrates de Ciências Universais, como os senhores bem sabem, um clube muito seleto, e uma grande honra, tanto lá como aqui. A dúvida de viabilidade econômica se resume a uma única pergunta: O que você deseja? Deseja ouro e pedras preciosas? Em Marte você poderia com um único transporte, derrubar os preços de Gaia em 1/3. Talvez você prefira comidas exóticas? Em Marte, o clima diferenciado combinado com nossa engenharia genética, poderíamos criar novas espécies de frutos e legumes sem a preocupação de impactar o meio ambiente, porque lá não tem nenhum ambiente. Vocês estão preocupados em sustentar seres humanos ociosos em outro planeta enquanto aqui vocês trabalham duro? Em Marte, nossa colonização será muito restrita aos melhores e mais capazes seres que a humanidade poderá oferecer, e em retorno, estaremos mandando de volta a Gaia os filhos desses escolhidos, educados sem distrações para serem perfeitos, como os Deuses.
Esse último comentário exagerado incendiou a platéia novamente, todos falando ao mesmo tempo, alguns ofendidos, outros curiosos com o olhar cheio de esperança. Para restabelecer a Paz novamente, interveio a única mulher da missão, embora seu papel seja fundamental para o sucesso de todos.
- Com licença, um minuto de atenção por favor. - Sua voz doce e irresistível sempre foi sua arma secreta para esconder seu temperamento explosivo e imprevisível. - Eu acredito que meu colega quis dizer que em Marte não teremos de nos preocupar com regras e procedimentos porque vocês estarão seguros aqui em Gaia, podem ficar tranquilos. Eu sou a Dra. Perséfone, médica responsável pela saúde da missão, e como objetivo secundário da missão, é minha responsabilidade criar um conjunto de procedimentos que visa a manutenção prolongada da vida humana em Marte, incluindo a saúde física e mental dos colonos, a maternidade e o impacto do ambiente marciano nas crianças. Como mulher, também serei cobaia em meus próprios experimentos para melhor adaptação da humanidade em Marte. Talvez seja melhor deixarmos as perguntas para o final, ainda temos mais membros da tripulação para apresentar, a começar pelo meu querido papai, Dr. Saturno Von Cronos, biólogo e membro da Academia Platão.
- Obrigado princes, quero dizer, filha. - Ela odeia ser chamada de princesa. Nos contos de fadas, a princesa sempre é uma coitada que precisa ser salva da rainha malvada. Não, com certeza Perséfone está mais para a rainha, mais ou menos malvada - Meu papel na missão é simples. Marte está morto, ou apenas dormindo? Em nosso entendimento científico atual, entendemos por planeta morto aquele que não possui atividade em seu núcleo, o que será de responsabilidade do meu colega, Sr. plutão Von Hades. A partir das suas descobertas, eu poderei determinar se nós poderemos extrair calor, vapor, energia e minerais no núcleo do planeta, principalmente nutrientes. Como o próprio nome indica, os nutrientes são basicamente formados por nitrogênio, que infelizmente nossas sondas não tripuladas LandRover e LancerEvo detectaram em quantidades insuficientes para sustentar vida. Uma teoria provável diz que o Monte Olimpo, o maior vulcão do sistema solar, tenha expelido tanto gás que além de soprar a atmosfera para o espaço, levando consigo a água e o nitrogênio, também o vulcão teria servido como um foguete, tirando Marte de sua órbita, afastando-o do Sol. Minha teoria serve de base para o experimento que vamos ...
- Obrigado Dr. Saturno Von Cronos - Interrompe o chefe da segurança da missão, por dois motivos. Primeiro se ninguém tivesse interrompido o Dr, a conferência duraria três ou quatro dias. Mas mais importante, sua função nessa missão é um segredo bem guardado, pois a reação popular poderia cancelar todo o esforço. - Eu sou Capitão Marte Von Ares, e como meu próprio nome diz, sou chefe da segurança. - Esse comentário teria sido engraçado, mas a presença do Capitão é tão intimidadora que ninguém teve coragem de rir. Na verdade isso sempre acontece com as piadas do capitão, o que o deixa meio chateado. - (limpa a garganta). Muito bem, meu papel é o de manter a ordem, detectar possíveis conflitos motivados por estress na tripulação, manipular as armas anti-meteoros e as ferramentas também, como por exemplo a britadeira laser que, se não manipulada corretamente, pode até furar um olho. (mais uma piada, zero risos.)
Após um breve silêncio, já que ninguém tem coragem de perguntar nada ao capitão, finalmente o bobo-da-corte se revela ao público, e bem na hora de irritar, como sempre, o sério Capitão.
- Obrigado Capitão pela dica, atenção crianças, não corram com uma britadeira na mão, hein? - A sala explode em risadas histéricas, como uma panela de pressão entupida. O Capitão se sente muito humilhado toda vez que isso acontece, mas sempre se controla, engolindo a raiva, e rangendo os dentes. - OK, já que ninguém me apresenta, Senhoras e Senhores, Damas e mais Damas, me liga, eu sou Sr. Baco Von Dionísio, mas podem me chamar de Baby. - Ele sempre diz isso piscando um olho para a mulher mais linda do salão, e sempre arranca um suspiro e uma cruzada de pernas, parece mágica. - Meu papel nessa missão é Gloss fotográfico, (faz som com a boca de bateria bum-bum tchi) - a platéia responde imediatamente com uma salva de risadas, de repente o ambiente ficou mais leve e descontraído, parece um clube de comédia. - Não, falando sério, eu sou o piloto da nave, e do transporte terrestre, e mais importante de tudo, sou solteiro meninas.
- Han-Han - limpa a garganta bem alto, tentando salvar um pouco da dignidade da missão. - Obrigado Sr. Baco Von Dionísio, agradescemos pelas risadas. (O capitão deixa escapar um grunhido). Eu sou Dr. Hypnossono Von Emmanuel, arqueólogo, antropólogo e homem de religião.
A imprensa tem um faro para polêmicas e explode em perguntas maliciosas de duplo sentido.
- Senhor Hypnossono, Qual religião o senhor vai oficializar em Marte? As outras serão permitidas?
- Senhor Hypnossono, O senhor acredita que existem fósseis humanos em Marte?
- Senhor Hypnossono, O senhor acredita em marcianos?
Desesperado pelo retorno do silêncio, o capitão irritado com Baco, como sempre, bate seu pesado punho na mesa, derrubando alguns copos de água e imediatamente silenciando a imprensa como se o Deus Vulcano Von Hefesto em pessoa tivesse aparecido para levar embora suas almas medíocres.
- Obrigado Capitão, como eu ia dizendo, sou antes de mais nada um cientista, também sou membro da Academia de Ciências Universais e meu trabalho não é olhar para o passado de Marte, mas sim para seu futuro. Aqui em Gaia, olhamos um site arqueológico como uma janela para o passado, não somente desenterrando ossos, mas mais precisamente trabalhamos como um detetive, como se fôssemos resolver um crime. Suponhamos que um esqueleto seja encontrado segurando uma colher de latão. Devemos responder uma série de perguntas. Porque ele segurava uma colher? Ele estava comendo e morreu engasgado? Teve uma briga e a única arma de defesa foi a colher? Essa colher de latão foi feita na região ou importada de mercadores? Quem fez a colher? Em Marte, não haverá esqueletos nem colheres, mas ao contrário, nós um dia seremos os esqueletos de Marte. Meu papel é simples. Eu devo analisar todas as consequências de todas as decisões da missão, baseados em minha experiência com civilizações passadas, para ter certeza que não estamos novamente cometendo os mesmos erros do passado.
Um repórter se levanta devagar, ajeitando a gravata, os olhos fixos no Capitão. O menor movimento do Capitão com certeza acabaria em tragédia, uma pilha de corpos de repórteres pisoteados tentando passar pela pequena porta da saída. Sabendo disso, o Capitão permanece como uma estátua, na melhor tradição militar, seu olhar fixo no vazio, para frente, cabeça ereta, respiração controlada, seus olhos piscam a intervalos regulares. Finalmente, o repórter, engolindo o choro, começa a gaguejar:
- Senh, (afina a voz uma oitava abaixo), Senhor Hypnossono, poderia, se, se possível, claro, nos dizer mais, isto é, se não for segredo, mais sobre seu lado religioso? Senhor? Por Favor? (este último por favor na verdade foi um pedido aos Deuses para pouparem sua vida).
- Claro, mas infelizmente, por motivos de segurança da missão (Capitão acena discretamente um positivo com a cabeça), não posso dizer que tenho uma religião específica. Veja bem, cada religião de Gaia tem suas próprias crenças, seus próprios rituais, e mais importante, cada uma delas tenta roubar os fiéis da outra, em uma eterna luta por mais poder. Meu interesse, e função nessa missão, não é levar o poder até Marte, mas servir como representante de toda a raça Humana em nome dos deuses, e pedir que eles nos permitam suas bênçãos para o sucesso da missão. Só isso, e garanto a vocês, que nenhum grupo religioso específico será favorecido em Marte, sob minha responsabilidade. Eu sou um estudioso de todas as religiões de Gaia, se não fosse assim eu não teria sido aceito na Academia, que todos sabem, tem uma política científica muito rígida. Eu posso garantir a vocês, que todas, eu repito, todas as religiões tem uma raiz comum, tem uma origem comum, uma semente. É essa partícula fundamental que eu pretendo plantar em Marte, livre da política e da corrupção dos habitantes de Gaia.
Esse último comentário provocou um burburinho na imprensa, forçando a finalizar a coletiva e dispensar todos, que saíram para os bastidores. Ao fundo da sala, uma figura sombria observa tudo com atenção, mas sem se manifestar. Nas costas de sua mão, a tatuagem entrega sua identidade a todos, o olho de Hórus Von Osíris, o mais antigo e mais poderoso culto religioso de Gaia. Seus seguidores fanáticos nada temem, nem mesmo a morte. São temidos e respeitados, porém ao mesmo tempo, o medo das outras religiões em enfrentar o olho criou uma situação difícil de resolver. Todos unidos teriam, em teoria, a força suficiente para acabar com o olho. Mas a verdade é que ninguém é unido a ninguém. Alianças temporárias sempre acabam em traição e banho de sangue, e as poucas mortes não naturais do planeta, enchem as manchetes das notícias.
- Ainda bem que acabou - diz Perséfone -, achei que nós seríamos massacrados por perguntas sem resposta. Bom, vamos voltar ao centro de treinamento de astronautas e dormir a tarde toda.(dormir seria a última coisa na mente de todos, um último dia em Gaia. Mas seu pai estando presente, seu comportamento deveria ser sempre exemplar, como de uma Princesa. Para sua surpresa, seu pai diz exatamente o que ela queria ouvir.)
- Filha, hoje é nosso último dia em Gaia, vamos aproveitar da melhor forma. Eu estarei retornando ao zoológico, para me preparar psicologicamente. Estou tenso, e o cheiro de esterco sempre me anima (piada interna de biólogo, não precisa fingir que foi engraçado).
- Bom papai, como médica, acho que irei até a creche ver as crianças uma última vez. A gente se vê amanhã.
Imediatamente Perséfone toca as costas da mão do Sr. Plutão, que disfarça seu contentamento ao entender a mensagem subliminar. Todos se separam então, cada qual a seu destino, tentando ao máximo levar uma vida normal uma última vez. Em Gaia, nesse período de paz, as ruas são seguras à noite, desde que se saiba navegar pelo labirinto de igrejas e religiões sem chamar muita atenção.
FANTASMAS DE MARTE
PREFÁCIO
Na agitada e barulhenta conferência de imprensa, estão sentados à mesa toda a equipe científica da missão, prontos a se apresentarem.
- Sr. Presidente, como o senhor responde às críticas da oposição dizendo que essa missão não passa de uma forma de glorificar seu filho nos anais da história desperdiçando dinheiro público?
O Presidente, político experiente como provam seus cabelos brancos, sabe que nunca se responde uma pergunta direta com uma resposta direta. Não, ele sabe melhor que isso para não ser pego na armadilha da imprensa. Tomou um gole de água, tirou um lenço do bolso, esfregou seus óculos e aguardou a ansiedade crescer nos olhares da imprensa. "Tubarões canibais", pensou ele em desabafo.
- Sra. Minerva Van Atena, quero agradecer a todos por terem vindo aqui hoje para testemunhar esse dia histórico. História, Sra. Minerva, não é assunto político, nem econômico, nem para poucos privilegiados. A história da humanidade é feita por todos nós, dia a dia, ação por ação. Se a história tem problemas de memorização, se alguns fatos são lembrados errados e outros esquecidos, certamente meus opositores concordarão que não é culpa minha. (risos na platéia). Eu convoquei todos aqui para um único propósito. A história será feita, e esse fato é inevitável. Eu, não como presidente das nações unificadas de Gaia, mas simplesmente como o homem, Sr. Netuno Von Poseidon, farei tudo que for possível para que a história seja escrita da forma correta. No fim da história, a missão terá sido bem sucedida, e todos conhecerão a história da forma que ela realmente aconteceu. Isso é tudo sobre mim, vamos agora conhecer a equipe que será a primeira representação da humanidade a explorar e colonizar o planeta Marte, aquele que um dia foi vivo como Gaia, mas que pereceu por sua própria natureza violenta. Isso é tudo.
Como sempre, as respostas evasivas e misteriosas do presidente deixou a imprensa insandecida, alguns pularam as cadeiras e se acotovelaram para tentar extrair mais filosofia barata de um político liso feito sardinha, mas foram obviamente barrados pela segurança presidencial, com um certo esforço. Nos bastidores, o presidente não estava cansado, mas havia atuado de forma que a imprensa acreditasse assim, para que sua verdadeira intenção de não ser visto junto a seu filho fosse sabida por todos.
- Sentem-se todos por favor. Silêncio. - Pediu um assistente anônimo. - Eu peço a todos que retornem a seus lugares para começar a rodada de perguntas aos membros da tripulação. Obrigado.
Como máquinas bem programadas, a imprensa imediatamente se organizou em uma platéia quase humana e civilizada, que poderia enganar o observador inocente que não soubesse melhor.
- Comandante Júpiter Von Zeus - Um dos repórteres salta de forma tão veemente que seus colegas sabem imediatamente, que assim como se fosse um programa de televisão, aquele que bate o botão primeiro pergunta primeiro - É verdade os boatos que o senhor usa o sobrenome de solteiro de sua mãe para tentar convencer a oposição política contra o fato que o senhor foi privilegiado por ser filho de Netuno?
Normalmente, essa pergunta seria respondida com uma chuva de socos na cara, depois de ter chutado a mesa e acotovelado a turma do "deixa disso", mas essa não é a primeira vez que ele ouve essa pergunta, e não é a primeira vez que ele faz papel de otário em frente às câmeras. Não. Dessa vez, só dessa vez, ele não iria cair nessa óbvia armadilha. Mas o pensamento de socar o repórter lhe deu um breve ataque de risos.
- Sim, todos sabem que o sr. presidente é meu pai, todos sabem que minha mãe morreu quando eu tinha 8 anos, todos sabem que meu pai me mandou para uma escola internato militar, e que eu vivi toda a minha vida no exército. Mas eu pergunto a vocês. Existe algum provável candidato para minha posição que tem 22 anos de treinamento militar, medalha de honra da Câmara do Senado por bravura, Medalha Escudo de Atena por serviço exemplar no alívio do desastre do Vulcão Vesúvio, Troféu Apolo por vencer 19 das 21 modalidades olímpicas? Eu desafio o senhor, ou qualquer outro, a tomar o meu lugar. Próxima pergunta.
A imprensa sentiu o coice e perdeu temporariamente a malícia, preparando perguntas de nível mais intelectual.
- Senhor Júpiter, os opositores da missão alegam que seria irresponsável desse governo colonizar Marte, que isso traria grandes déficits econômicos em sustentar uma colônia tão distante, e isso poderia trazer de volta a guerra na nossa sociedade, agora que conseguimos a muito custo a paz mundial.
Como o comandante bem disse, ele é uma fantástica máquina física, mas quando o desafio é um papel e um lápis, a mesa leva as cicatrizes. Sabendo do calcanhar de Aquiles do comandante, e como já foi previamente ensaiado nos bastidores, o geólogo Sr. Plutão Von Hades rapidamente desliga o microfone do comandante visivelmente irritado e toma a palavra:
- Eu sou Sr. Plutão Von Hades, geólogo e membro da Academia Platão Von Sócrates de Ciências Universais, como os senhores bem sabem, um clube muito seleto, e uma grande honra, tanto lá como aqui. A dúvida de viabilidade econômica se resume a uma única pergunta: O que você deseja? Deseja ouro e pedras preciosas? Em Marte você poderia com um único transporte, derrubar os preços de Gaia em 1/3. Talvez você prefira comidas exóticas? Em Marte, o clima diferenciado combinado com nossa engenharia genética, poderíamos criar novas espécies de frutos e legumes sem a preocupação de impactar o meio ambiente, porque lá não tem nenhum ambiente. Vocês estão preocupados em sustentar seres humanos ociosos em outro planeta enquanto aqui vocês trabalham duro? Em Marte, nossa colonização será muito restrita aos melhores e mais capazes seres que a humanidade poderá oferecer, e em retorno, estaremos mandando de volta a Gaia os filhos desses escolhidos, educados sem distrações para serem perfeitos, como os Deuses.
Esse último comentário exagerado incendiou a platéia novamente, todos falando ao mesmo tempo, alguns ofendidos, outros curiosos com o olhar cheio de esperança. Para restabelecer a Paz novamente, interveio a única mulher da missão, embora seu papel seja fundamental para o sucesso de todos.
- Com licença, um minuto de atenção por favor. - Sua voz doce e irresistível sempre foi sua arma secreta para esconder seu temperamento explosivo e imprevisível. - Eu acredito que meu colega quis dizer que em Marte não teremos de nos preocupar com regras e procedimentos porque vocês estarão seguros aqui em Gaia, podem ficar tranquilos. Eu sou a Dra. Perséfone, médica responsável pela saúde da missão, e como objetivo secundário da missão, é minha responsabilidade criar um conjunto de procedimentos que visa a manutenção prolongada da vida humana em Marte, incluindo a saúde física e mental dos colonos, a maternidade e o impacto do ambiente marciano nas crianças. Como mulher, também serei cobaia em meus próprios experimentos para melhor adaptação da humanidade em Marte. Talvez seja melhor deixarmos as perguntas para o final, ainda temos mais membros da tripulação para apresentar, a começar pelo meu querido papai, Dr. Saturno Von Cronos, biólogo e membro da Academia Platão.
- Obrigado princes, quero dizer, filha. - Ela odeia ser chamada de princesa. Nos contos de fadas, a princesa sempre é uma coitada que precisa ser salva da rainha malvada. Não, com certeza Perséfone está mais para a rainha, mais ou menos malvada - Meu papel na missão é simples. Marte está morto, ou apenas dormindo? Em nosso entendimento científico atual, entendemos por planeta morto aquele que não possui atividade em seu núcleo, o que será de responsabilidade do meu colega, Sr. plutão Von Hades. A partir das suas descobertas, eu poderei determinar se nós poderemos extrair calor, vapor, energia e minerais no núcleo do planeta, principalmente nutrientes. Como o próprio nome indica, os nutrientes são basicamente formados por nitrogênio, que infelizmente nossas sondas não tripuladas LandRover e LancerEvo detectaram em quantidades insuficientes para sustentar vida. Uma teoria provável diz que o Monte Olimpo, o maior vulcão do sistema solar, tenha expelido tanto gás que além de soprar a atmosfera para o espaço, levando consigo a água e o nitrogênio, também o vulcão teria servido como um foguete, tirando Marte de sua órbita, afastando-o do Sol. Minha teoria serve de base para o experimento que vamos ...
- Obrigado Dr. Saturno Von Cronos - Interrompe o chefe da segurança da missão, por dois motivos. Primeiro se ninguém tivesse interrompido o Dr, a conferência duraria três ou quatro dias. Mas mais importante, sua função nessa missão é um segredo bem guardado, pois a reação popular poderia cancelar todo o esforço. - Eu sou Capitão Marte Von Ares, e como meu próprio nome diz, sou chefe da segurança. - Esse comentário teria sido engraçado, mas a presença do Capitão é tão intimidadora que ninguém teve coragem de rir. Na verdade isso sempre acontece com as piadas do capitão, o que o deixa meio chateado. - (limpa a garganta). Muito bem, meu papel é o de manter a ordem, detectar possíveis conflitos motivados por estress na tripulação, manipular as armas anti-meteoros e as ferramentas também, como por exemplo a britadeira laser que, se não manipulada corretamente, pode até furar um olho. (mais uma piada, zero risos.)
Após um breve silêncio, já que ninguém tem coragem de perguntar nada ao capitão, finalmente o bobo-da-corte se revela ao público, e bem na hora de irritar, como sempre, o sério Capitão.
- Obrigado Capitão pela dica, atenção crianças, não corram com uma britadeira na mão, hein? - A sala explode em risadas histéricas, como uma panela de pressão entupida. O Capitão se sente muito humilhado toda vez que isso acontece, mas sempre se controla, engolindo a raiva, e rangendo os dentes. - OK, já que ninguém me apresenta, Senhoras e Senhores, Damas e mais Damas, me liga, eu sou Sr. Baco Von Dionísio, mas podem me chamar de Baby. - Ele sempre diz isso piscando um olho para a mulher mais linda do salão, e sempre arranca um suspiro e uma cruzada de pernas, parece mágica. - Meu papel nessa missão é Gloss fotográfico, (faz som com a boca de bateria bum-bum tchi) - a platéia responde imediatamente com uma salva de risadas, de repente o ambiente ficou mais leve e descontraído, parece um clube de comédia. - Não, falando sério, eu sou o piloto da nave, e do transporte terrestre, e mais importante de tudo, sou solteiro meninas.
- Han-Han - limpa a garganta bem alto, tentando salvar um pouco da dignidade da missão. - Obrigado Sr. Baco Von Dionísio, agradescemos pelas risadas. (O capitão deixa escapar um grunhido). Eu sou Dr. Hypnossono Von Emmanuel, arqueólogo, antropólogo e homem de religião.
A imprensa tem um faro para polêmicas e explode em perguntas maliciosas de duplo sentido.
- Senhor Hypnossono, Qual religião o senhor vai oficializar em Marte? As outras serão permitidas?
- Senhor Hypnossono, O senhor acredita que existem fósseis humanos em Marte?
- Senhor Hypnossono, O senhor acredita em marcianos?
Desesperado pelo retorno do silêncio, o capitão irritado com Baco, como sempre, bate seu pesado punho na mesa, derrubando alguns copos de água e imediatamente silenciando a imprensa como se o Deus Vulcano Von Hefesto em pessoa tivesse aparecido para levar embora suas almas medíocres.
- Obrigado Capitão, como eu ia dizendo, sou antes de mais nada um cientista, também sou membro da Academia de Ciências Universais e meu trabalho não é olhar para o passado de Marte, mas sim para seu futuro. Aqui em Gaia, olhamos um site arqueológico como uma janela para o passado, não somente desenterrando ossos, mas mais precisamente trabalhamos como um detetive, como se fôssemos resolver um crime. Suponhamos que um esqueleto seja encontrado segurando uma colher de latão. Devemos responder uma série de perguntas. Porque ele segurava uma colher? Ele estava comendo e morreu engasgado? Teve uma briga e a única arma de defesa foi a colher? Essa colher de latão foi feita na região ou importada de mercadores? Quem fez a colher? Em Marte, não haverá esqueletos nem colheres, mas ao contrário, nós um dia seremos os esqueletos de Marte. Meu papel é simples. Eu devo analisar todas as consequências de todas as decisões da missão, baseados em minha experiência com civilizações passadas, para ter certeza que não estamos novamente cometendo os mesmos erros do passado.
Um repórter se levanta devagar, ajeitando a gravata, os olhos fixos no Capitão. O menor movimento do Capitão com certeza acabaria em tragédia, uma pilha de corpos de repórteres pisoteados tentando passar pela pequena porta da saída. Sabendo disso, o Capitão permanece como uma estátua, na melhor tradição militar, seu olhar fixo no vazio, para frente, cabeça ereta, respiração controlada, seus olhos piscam a intervalos regulares. Finalmente, o repórter, engolindo o choro, começa a gaguejar:
- Senh, (afina a voz uma oitava abaixo), Senhor Hypnossono, poderia, se, se possível, claro, nos dizer mais, isto é, se não for segredo, mais sobre seu lado religioso? Senhor? Por Favor? (este último por favor na verdade foi um pedido aos Deuses para pouparem sua vida).
- Claro, mas infelizmente, por motivos de segurança da missão (Capitão acena discretamente um positivo com a cabeça), não posso dizer que tenho uma religião específica. Veja bem, cada religião de Gaia tem suas próprias crenças, seus próprios rituais, e mais importante, cada uma delas tenta roubar os fiéis da outra, em uma eterna luta por mais poder. Meu interesse, e função nessa missão, não é levar o poder até Marte, mas servir como representante de toda a raça Humana em nome dos deuses, e pedir que eles nos permitam suas bênçãos para o sucesso da missão. Só isso, e garanto a vocês, que nenhum grupo religioso específico será favorecido em Marte, sob minha responsabilidade. Eu sou um estudioso de todas as religiões de Gaia, se não fosse assim eu não teria sido aceito na Academia, que todos sabem, tem uma política científica muito rígida. Eu posso garantir a vocês, que todas, eu repito, todas as religiões tem uma raiz comum, tem uma origem comum, uma semente. É essa partícula fundamental que eu pretendo plantar em Marte, livre da política e da corrupção dos habitantes de Gaia.
Esse último comentário provocou um burburinho na imprensa, forçando a finalizar a coletiva e dispensar todos, que saíram para os bastidores. Ao fundo da sala, uma figura sombria observa tudo com atenção, mas sem se manifestar. Nas costas de sua mão, a tatuagem entrega sua identidade a todos, o olho de Hórus Von Osíris, o mais antigo e mais poderoso culto religioso de Gaia. Seus seguidores fanáticos nada temem, nem mesmo a morte. São temidos e respeitados, porém ao mesmo tempo, o medo das outras religiões em enfrentar o olho criou uma situação difícil de resolver. Todos unidos teriam, em teoria, a força suficiente para acabar com o olho. Mas a verdade é que ninguém é unido a ninguém. Alianças temporárias sempre acabam em traição e banho de sangue, e as poucas mortes não naturais do planeta, enchem as manchetes das notícias.
- Ainda bem que acabou - diz Perséfone -, achei que nós seríamos massacrados por perguntas sem resposta. Bom, vamos voltar ao centro de treinamento de astronautas e dormir a tarde toda.(dormir seria a última coisa na mente de todos, um último dia em Gaia. Mas seu pai estando presente, seu comportamento deveria ser sempre exemplar, como de uma Princesa. Para sua surpresa, seu pai diz exatamente o que ela queria ouvir.)
- Filha, hoje é nosso último dia em Gaia, vamos aproveitar da melhor forma. Eu estarei retornando ao zoológico, para me preparar psicologicamente. Estou tenso, e o cheiro de esterco sempre me anima (piada interna de biólogo, não precisa fingir que foi engraçado).
- Bom papai, como médica, acho que irei até a creche ver as crianças uma última vez. A gente se vê amanhã.
Imediatamente Perséfone toca as costas da mão do Sr. Plutão, que disfarça seu contentamento ao entender a mensagem subliminar. Todos se separam então, cada qual a seu destino, tentando ao máximo levar uma vida normal uma última vez. Em Gaia, nesse período de paz, as ruas são seguras à noite, desde que se saiba navegar pelo labirinto de igrejas e religiões sem chamar muita atenção.
sábado, 18 de outubro de 2014
Video Games
Olá amigos, o tema de hoje é sobre a minha coisa favorita nesse mundo que não seja cerveja: VIDEOGAME. Você não gosta de videogame? Tudo bem, sem problema, não vou levar um papo Nerd, será uma conversa sobre O futuro do videogame e como as Empresas de videogame estão influenciando toda uma geração de jovens.
Primeiro quero me apoiar no Vídeo de Adam Koralik, sobre as opiniões dele sobre os mais novos videogames do Mercado. Por motivos óbvios, não posso citar nomes e marcas porque essas empresas podem me esmagar como a barata que eu sou, caso eu saia do ralo e corra pela luz deles.
Vou comentar aqui algumas opiniões que nós temos em comum. Primeiro, a Indústria. Antigamente o videogame era uma novidade, tinha jogos relativamente pequenos e difíceis, tinha uma certa criatividade e era muito fácil de usar. Hoje, os consoles parecem computadores de mesa, só que limitados e complicados, e os jogos precisam de atualizações semanais para continuar funcionando e fica uma sensação estranha que o videogame está espionando tudo o que você faz, ELE TEM OLHOS !!!
70% do mercado consumidor de videogames NÃO JOGA VIDEOGAME. O que ? Como isso é possível? 20% do mercado somos nós, os GAMERS HARDCORE. Todos nós odiamos essa palavra gamer e hardcore significa "fanático". Nós temos as opiniões, fazemos vídeos no youtube discutindo o que está certo e o que está errado no mundo, mas no final nosso dinheiro é pequeno comparado aos 70% de jogadores CASUAIS. O Jogador casual chega cansado do trabalho, irritado e esgotado, pega uma lasanha congelada, abre uma cerveja, e na hora daquela novela insuportável com todo mundo gritando e berrando feito um bando de chimpanzés, o cara liga o videogame e dá uma jogadinha de leve, uma corrida tirando racha à noite, ou uma partida Brasil X Alemanha, ou uma fase do encanador bigodudo que vai salvar a princesa de novo. Só pra relaxar, ele não quer salvar o mundo, não quer resolver complicadas quests de RPG, não quer ter trabalho pra nada, só apertar botões. E 10% são as vovós que compram videogames pros netinhos.
E são esses 70% de casuais que estão MATANDO a indústria de video games. Porque? Porque eles são descompromissados, migrantes, nômades. O videoGame está muito caro e complicado? Sem problemas, eu comprei um tablet e estou jogando de graça. Aconteceu a mesma coisa com a indústria de automóveis. Antigamente, 90% dos motoristas eram homens, e os carros eram grandes e machos. Mas as mulheres começaram a dirigir também, e os homens "modernos" compram carros pedindo a opinião das esposas (Tapa na testa), então o que aconteceu com os carros? Todos eles agora são redondinhos, fofinhos, tem espelhinhos para retocar o blush, tem botões no volante, tem um pneu pendurado pra fora do carro pro ladrão roubar mais fácil. E quem gosta verdadeiramente de carros tem duas escolhas: Comprar um antigo e restaurar, ou comprar uma Moto. Enquanto isso, a indústria de autos fica se debatendo no caixão, pensando onde foi que errou.
Antigamente quando você via um filme no cinema acontecia três coisas: A menina do filme mostrava os peitinhos, tudo explodia, e sua namorada odiava cinema e deixava você ir com os amigos. Agora porque o cinema está morrendo? Porque tudo é andrógeno, tem romance e ao mesmo tempo alguém é esfaqueado e jorra sangue, não tem mais peitinhos mas tem homens sarados só de cueca, e tudo é politicamente correto e chato, assim como na vida real que você está tentando fugir, mas ela volta e não te deixa em paz. E sua namorada gosta do filme, o que automaticamente te faz odiar o filme.
E quem tem dinheiro? O cara não se importa com videogame porque pra falar a verdade VIDEOGAME É COISA DE POBRE. Se eu tivesse dinheiro eu iria todos os dias em rock-bar ouvir música ao vivo e tentar levar o máximo número de mulheres bêbadas para o Motel simultaneamente. Mas não, eu sou pobre, e o que eu faço sexta-feira à noite? Jogo um videogame que adquiri de forma TOTALMENTE LEGAL, LÍCITA E PERMITIDA. E nego todas as acusações até a morte. Sério, eu paguei 650 reais (100 emprestado da minha mãe) e montei um PC Gamer para jogar STEAM da VALVE(marca registrada). Veja as configurações:
Falando em dinheiro, esse é o outro problema. QUANTO VALE O SEU DINHEIRO? Não, você não entendeu. Vou perguntar de outra forma. POBRE: "Se você ver uma moeda de 1 centavo no chão, dentro de uma poça de água suja e fedida, você se abaixa para pegar? ", a maioria diria Não, não me abaixo para pegar. POBRE:" E se fosse uma nota de 100 reais?" A maioria diria Sim, agora vale a pena, eu pego a nota com um graveto e lavo ela. Ok
RICO: " Você se abaixaria para pegar uma nota de 100 reais no chão, mesmo estando ela limpa?" A maioria diria Não, não me abaixo porque o risco de eu machucar as costas me abaixando e pagar o médico é muito maior que 100 reais, esse é um risco alto de prejuízo.
Então repito a pergunta: "quanto vale seu dinheiro?" 100 dólares. Para mim, 100 dólares é muito dinheiro, primeiro porque eu ganho dinheiro em Real, e o câmbio hoje é de 2,64 reais para 1 dóllar. Então um jogo de 100 dólares dos Estados Unidos vem para o Brasil com um custo de 264 reais. Mas não é só isso, pois os eletrônicos aqui no Brasil sofrem uma taxa de 100% na importação, pois é considerado artigo de luxo e supérfluo. Então o Governo inflaciona o mercado para um custo total de 528 reais para cada 100 dólares. Eu não tenho 600 reais por mês para gastar em jogos, por mais que eu goste deles.
Para a (%$¨*%#$ ), a maior empresa de videogames do mundo, quanto vale 100 dólares? Nada. Uma empresa grande com 10 mil funcionários gastaria mais ou menos 5 mil dólares em papel higiênico nos banheiros de funcionários todo mês. 100 dólares? Em máquinas de café são 1200 dólares mensais cada uma, em manutenção, café e açúcar. 100 dólares? Nada, e baixar esse preço está fora de questão.
Então o que fazer para manter o console caro, e mesmo assim interessante? Agregar funcionalidades que antes não tinha. O videogame da marca X, não posso dizer qual, lançou um pacote DRM, que incluía uma mensalidade para que você pagasse em troca de assistir conteúdos exclusivos da TV. Mas espera um minuto aí. Eu ligo o videogame na TV, e para assistir TV usando o videogame eu tenho que pagar? Não entendi.
Eu vou tentar explicar. Você tem uma TV. provavelmente é uma Smart Tv, porque se você tem dinheiro para comprar um videogame de 2340 reais, então com certeza sua Tv não é uma porcaria. Daí a empresa de videogame pensou "Nosso consumidor está desligando o videogame para assistir TV, mas nós queremos que o videogame fique ligado o maior tempo possível. Já sei, vamos fazer ele assistir TV pelo console. " Ok, mas tem um problema. Assistir TV na TV é quase de graça, pois você tem a antena digital, e tem o pacote TV+internet+telefone que a maioria das pessoas gosta de fazer. Mas pelo console, existem problemas de COPYRIGHT, DIREITOS AUTORAIS. Então para que o videogame INVADA outra forma de comunicação que seria a TV e o cinema, eles tem que pagar a taxa. E se eles pagam a taxa, ENTÃO VOCÊ CONSUMIDOR PARA A TAXA.
Mas mais fundamental que isso, PORQUE VOCÊ LIGOU O VIDEOGAME AGORA? PORQUE AGORA VOCÊ NÃO QUER VER TV. Sinceramente, ninguém entendeu isso, e a empresa falhou em explicar com clareza o que ela queria com isso, provavelmente algum super empresário bilionário enfiou os dois dedos no ouvido e começou a gritar "CALA A BOCA, EU QUERO ASSIM E VOCÊ VAI FAZER O QUE EU QUERO."
Tem um detalhe, pequeno, que faz uma grande diferença e as empresas estão começando a acertar. A cópia digital. Antigamente você comprava um CD ou DVD e esse era seu jogo. O que sempre acontecia antigamente, seu irmão caçula ia jogar o seu videogame com a mão toda melada de chocolate e derrubava o DVD no chão sujo de areia e tentava limpar na camisa suja de molho de tomate. Sua cópia agora está destruída, então você liga pra empresa e pede outra cópia. Eles respondem pra você NÃO, você não tem direito a outra cópia, se quiser continuar jogando você tem que comprar outra cópia de novo. Hoje em dia você paga uma vez, e é proprietário de uma cópia por usuário, ou seja, eu posso ter uma cópia no console e a mesma cópia na stream no meu pc, e se quiser um DVD eu pago a taxa do envio do produto, descontado o valor do jogo.
E o que isso tem a ver com a sua vida se você não joga videogame? Algumas pessoas vêem o videogame como uma espécie de babá eletrônica para acalmar as crianças ou mais extremistas chamam de droga eletrônica. Isso é exagero de quem está por fora do assunto, nesse caso é preciso uma visão de dentro, com experiência. É verdade que videogames deixam as pessoas violentas? Não, isso é mentira. As pessoas violentas deixam as pessoas violentas. Eu adoro jogos em que o inimigo são os Nazistas, adoro matar Nazistas no computador. Isso é motivo de preocupação? Algum dia eu vou comprar uma metralhadora, viajar até Curitiba e matar todos os nazistas que moram lá? Não, é claro que não, porque isso não faz parte da minha natureza, eu sou Cristão, pacifista, democrata. Matar um ser humano é contra os ensinamentos do meu Mestre Jesus, e eu serei o maior prejudicado nessa história. Mas no universo FICTÍCIO do videogame, eu posso fingir que sou um herói, que posso mudar a história para que tenha um final mais feliz que a realidade.
É muito importante o faz-de-conta, a ficção, a FANTASIA. Quem não joga videogame grita para as crianças DESLIGA ISSO E VAI LER UM LIVRO. Videogames são os livros do século 21, são infinitamente melhores e mais poderosos que os livros, desde que você saiba aproveitar o seu potencial. Um jogo simplista como uma partida de futebol não acrescenta nada na sua vida, mas um jogo extremamente complexo em citações filosóficas e que traz à tona discussões que podem ser extrapoladas para a vida real, são uma grande fonte de conhecimento. O RPG mais completo de todos os tempos, e um que recomendo as crianças de hoje voltar no passado e jogar, CHRONO TRIGGER. De SNES.
Final Fantasy VII é o melhor e mais belo RPG da sua época, mas em termos de história, o FF VIII é o que recomendo como conteúdo educacional. Imagina uma discussão com seus filhos se é justo ou injusto que uma empresa rica explore uma vila pobre de operários, e depois sem motivo a abandone à sua miséria, sem empregos e sem futuro. Você acha que isso nunca aconteceria na vida real? Duas palavras pra você pesquisar no google, DETROIT CHEVROLET
E além de RPGs temos simuladores, temos adventures que também possuem uma história profunda e que nos fazem pensar sobre como nós levamos nossa vida real. Exemplo do Angry Joe, uma das personalidades do Youtube.
Nesse caso, é um jogo recente, mas existem também pérolas fora de linha que as empresas abandonaram para abrir espaço para novos e muitas vezes piores jogos. Nesse caso, na capa do jogo tem a foto/desenho (Photoshop está mais real que a realidade) de uma menina de 12 anos segurando um rifle. Papais e mamães de todo o mundo ficaram horrorizados e exigiram o banimento do jogo. Acontece que eles não jogaram o jogo, e portanto não sabem nada do que se trata. Eu sou a favor de meninas de 12 anos armadas? Claro que não. Mas a história do jogo, QUE NÃO É A REALIDADE, exige que para sobreviver em um mundo pós-apocalíptico, todos devem saber se defender. Na vida real, você precisa saber se defender de estelionatários, vigaristas, vendedores enganadores, políticos, chefes inescrupulosos, professores sádicos, psicopatas, ou seja, nem na vida real você está seguro completamente. Concluindo meu raciocínio, "The Last of Us" foi vencedor de 200 prêmios de O melhor jogo do Ano, na sua categoria.
O jogo faz você pensar em uma coisa, além de muitas outras: O exército pega um ser humano, e o transforma em uma máquina burra de matar tudo que se mexe. Mas, não seria melhor se as pessoas que tem esse poder de matar e manter a ordem, fossem as mais inteligentes e preparadas para esse tipo de responsabilidade? Eu não posso dizer mais nada porque ainda não joguei, não tenho nenhum console da oitava geração. Eu só tenho um PS2, mas tá sem jogos.
Acho que ficou um blog extenso, e tem muitos assuntos que eu queria discutir mas vamos ficar por aqui, obrigado pela leitura, até a próxima, abraços.
Primeiro quero me apoiar no Vídeo de Adam Koralik, sobre as opiniões dele sobre os mais novos videogames do Mercado. Por motivos óbvios, não posso citar nomes e marcas porque essas empresas podem me esmagar como a barata que eu sou, caso eu saia do ralo e corra pela luz deles.
Vou comentar aqui algumas opiniões que nós temos em comum. Primeiro, a Indústria. Antigamente o videogame era uma novidade, tinha jogos relativamente pequenos e difíceis, tinha uma certa criatividade e era muito fácil de usar. Hoje, os consoles parecem computadores de mesa, só que limitados e complicados, e os jogos precisam de atualizações semanais para continuar funcionando e fica uma sensação estranha que o videogame está espionando tudo o que você faz, ELE TEM OLHOS !!!
70% do mercado consumidor de videogames NÃO JOGA VIDEOGAME. O que ? Como isso é possível? 20% do mercado somos nós, os GAMERS HARDCORE. Todos nós odiamos essa palavra gamer e hardcore significa "fanático". Nós temos as opiniões, fazemos vídeos no youtube discutindo o que está certo e o que está errado no mundo, mas no final nosso dinheiro é pequeno comparado aos 70% de jogadores CASUAIS. O Jogador casual chega cansado do trabalho, irritado e esgotado, pega uma lasanha congelada, abre uma cerveja, e na hora daquela novela insuportável com todo mundo gritando e berrando feito um bando de chimpanzés, o cara liga o videogame e dá uma jogadinha de leve, uma corrida tirando racha à noite, ou uma partida Brasil X Alemanha, ou uma fase do encanador bigodudo que vai salvar a princesa de novo. Só pra relaxar, ele não quer salvar o mundo, não quer resolver complicadas quests de RPG, não quer ter trabalho pra nada, só apertar botões. E 10% são as vovós que compram videogames pros netinhos.
E são esses 70% de casuais que estão MATANDO a indústria de video games. Porque? Porque eles são descompromissados, migrantes, nômades. O videoGame está muito caro e complicado? Sem problemas, eu comprei um tablet e estou jogando de graça. Aconteceu a mesma coisa com a indústria de automóveis. Antigamente, 90% dos motoristas eram homens, e os carros eram grandes e machos. Mas as mulheres começaram a dirigir também, e os homens "modernos" compram carros pedindo a opinião das esposas (Tapa na testa), então o que aconteceu com os carros? Todos eles agora são redondinhos, fofinhos, tem espelhinhos para retocar o blush, tem botões no volante, tem um pneu pendurado pra fora do carro pro ladrão roubar mais fácil. E quem gosta verdadeiramente de carros tem duas escolhas: Comprar um antigo e restaurar, ou comprar uma Moto. Enquanto isso, a indústria de autos fica se debatendo no caixão, pensando onde foi que errou.
Antigamente quando você via um filme no cinema acontecia três coisas: A menina do filme mostrava os peitinhos, tudo explodia, e sua namorada odiava cinema e deixava você ir com os amigos. Agora porque o cinema está morrendo? Porque tudo é andrógeno, tem romance e ao mesmo tempo alguém é esfaqueado e jorra sangue, não tem mais peitinhos mas tem homens sarados só de cueca, e tudo é politicamente correto e chato, assim como na vida real que você está tentando fugir, mas ela volta e não te deixa em paz. E sua namorada gosta do filme, o que automaticamente te faz odiar o filme.
E quem tem dinheiro? O cara não se importa com videogame porque pra falar a verdade VIDEOGAME É COISA DE POBRE. Se eu tivesse dinheiro eu iria todos os dias em rock-bar ouvir música ao vivo e tentar levar o máximo número de mulheres bêbadas para o Motel simultaneamente. Mas não, eu sou pobre, e o que eu faço sexta-feira à noite? Jogo um videogame que adquiri de forma TOTALMENTE LEGAL, LÍCITA E PERMITIDA. E nego todas as acusações até a morte. Sério, eu paguei 650 reais (100 emprestado da minha mãe) e montei um PC Gamer para jogar STEAM da VALVE(marca registrada). Veja as configurações:
- placa mãe Asus H81M C/BR
- processador INTEL G3220
- Vídeo ATI Radeon HD 6850 1gb
- Memória 4Gb Kingston DDR3 1333mhz (mas pode melhorar)
- Periféricos comum a todos os PC
- Samsung M3 1Tb usb 3.0
Falando em dinheiro, esse é o outro problema. QUANTO VALE O SEU DINHEIRO? Não, você não entendeu. Vou perguntar de outra forma. POBRE: "Se você ver uma moeda de 1 centavo no chão, dentro de uma poça de água suja e fedida, você se abaixa para pegar? ", a maioria diria Não, não me abaixo para pegar. POBRE:" E se fosse uma nota de 100 reais?" A maioria diria Sim, agora vale a pena, eu pego a nota com um graveto e lavo ela. Ok
RICO: " Você se abaixaria para pegar uma nota de 100 reais no chão, mesmo estando ela limpa?" A maioria diria Não, não me abaixo porque o risco de eu machucar as costas me abaixando e pagar o médico é muito maior que 100 reais, esse é um risco alto de prejuízo.
Então repito a pergunta: "quanto vale seu dinheiro?" 100 dólares. Para mim, 100 dólares é muito dinheiro, primeiro porque eu ganho dinheiro em Real, e o câmbio hoje é de 2,64 reais para 1 dóllar. Então um jogo de 100 dólares dos Estados Unidos vem para o Brasil com um custo de 264 reais. Mas não é só isso, pois os eletrônicos aqui no Brasil sofrem uma taxa de 100% na importação, pois é considerado artigo de luxo e supérfluo. Então o Governo inflaciona o mercado para um custo total de 528 reais para cada 100 dólares. Eu não tenho 600 reais por mês para gastar em jogos, por mais que eu goste deles.
Para a (%$¨*%#$ ), a maior empresa de videogames do mundo, quanto vale 100 dólares? Nada. Uma empresa grande com 10 mil funcionários gastaria mais ou menos 5 mil dólares em papel higiênico nos banheiros de funcionários todo mês. 100 dólares? Em máquinas de café são 1200 dólares mensais cada uma, em manutenção, café e açúcar. 100 dólares? Nada, e baixar esse preço está fora de questão.
Então o que fazer para manter o console caro, e mesmo assim interessante? Agregar funcionalidades que antes não tinha. O videogame da marca X, não posso dizer qual, lançou um pacote DRM, que incluía uma mensalidade para que você pagasse em troca de assistir conteúdos exclusivos da TV. Mas espera um minuto aí. Eu ligo o videogame na TV, e para assistir TV usando o videogame eu tenho que pagar? Não entendi.
Eu vou tentar explicar. Você tem uma TV. provavelmente é uma Smart Tv, porque se você tem dinheiro para comprar um videogame de 2340 reais, então com certeza sua Tv não é uma porcaria. Daí a empresa de videogame pensou "Nosso consumidor está desligando o videogame para assistir TV, mas nós queremos que o videogame fique ligado o maior tempo possível. Já sei, vamos fazer ele assistir TV pelo console. " Ok, mas tem um problema. Assistir TV na TV é quase de graça, pois você tem a antena digital, e tem o pacote TV+internet+telefone que a maioria das pessoas gosta de fazer. Mas pelo console, existem problemas de COPYRIGHT, DIREITOS AUTORAIS. Então para que o videogame INVADA outra forma de comunicação que seria a TV e o cinema, eles tem que pagar a taxa. E se eles pagam a taxa, ENTÃO VOCÊ CONSUMIDOR PARA A TAXA.
Mas mais fundamental que isso, PORQUE VOCÊ LIGOU O VIDEOGAME AGORA? PORQUE AGORA VOCÊ NÃO QUER VER TV. Sinceramente, ninguém entendeu isso, e a empresa falhou em explicar com clareza o que ela queria com isso, provavelmente algum super empresário bilionário enfiou os dois dedos no ouvido e começou a gritar "CALA A BOCA, EU QUERO ASSIM E VOCÊ VAI FAZER O QUE EU QUERO."
Tem um detalhe, pequeno, que faz uma grande diferença e as empresas estão começando a acertar. A cópia digital. Antigamente você comprava um CD ou DVD e esse era seu jogo. O que sempre acontecia antigamente, seu irmão caçula ia jogar o seu videogame com a mão toda melada de chocolate e derrubava o DVD no chão sujo de areia e tentava limpar na camisa suja de molho de tomate. Sua cópia agora está destruída, então você liga pra empresa e pede outra cópia. Eles respondem pra você NÃO, você não tem direito a outra cópia, se quiser continuar jogando você tem que comprar outra cópia de novo. Hoje em dia você paga uma vez, e é proprietário de uma cópia por usuário, ou seja, eu posso ter uma cópia no console e a mesma cópia na stream no meu pc, e se quiser um DVD eu pago a taxa do envio do produto, descontado o valor do jogo.
E o que isso tem a ver com a sua vida se você não joga videogame? Algumas pessoas vêem o videogame como uma espécie de babá eletrônica para acalmar as crianças ou mais extremistas chamam de droga eletrônica. Isso é exagero de quem está por fora do assunto, nesse caso é preciso uma visão de dentro, com experiência. É verdade que videogames deixam as pessoas violentas? Não, isso é mentira. As pessoas violentas deixam as pessoas violentas. Eu adoro jogos em que o inimigo são os Nazistas, adoro matar Nazistas no computador. Isso é motivo de preocupação? Algum dia eu vou comprar uma metralhadora, viajar até Curitiba e matar todos os nazistas que moram lá? Não, é claro que não, porque isso não faz parte da minha natureza, eu sou Cristão, pacifista, democrata. Matar um ser humano é contra os ensinamentos do meu Mestre Jesus, e eu serei o maior prejudicado nessa história. Mas no universo FICTÍCIO do videogame, eu posso fingir que sou um herói, que posso mudar a história para que tenha um final mais feliz que a realidade.
É muito importante o faz-de-conta, a ficção, a FANTASIA. Quem não joga videogame grita para as crianças DESLIGA ISSO E VAI LER UM LIVRO. Videogames são os livros do século 21, são infinitamente melhores e mais poderosos que os livros, desde que você saiba aproveitar o seu potencial. Um jogo simplista como uma partida de futebol não acrescenta nada na sua vida, mas um jogo extremamente complexo em citações filosóficas e que traz à tona discussões que podem ser extrapoladas para a vida real, são uma grande fonte de conhecimento. O RPG mais completo de todos os tempos, e um que recomendo as crianças de hoje voltar no passado e jogar, CHRONO TRIGGER. De SNES.
Final Fantasy VII é o melhor e mais belo RPG da sua época, mas em termos de história, o FF VIII é o que recomendo como conteúdo educacional. Imagina uma discussão com seus filhos se é justo ou injusto que uma empresa rica explore uma vila pobre de operários, e depois sem motivo a abandone à sua miséria, sem empregos e sem futuro. Você acha que isso nunca aconteceria na vida real? Duas palavras pra você pesquisar no google, DETROIT CHEVROLET
E além de RPGs temos simuladores, temos adventures que também possuem uma história profunda e que nos fazem pensar sobre como nós levamos nossa vida real. Exemplo do Angry Joe, uma das personalidades do Youtube.
Nesse caso, é um jogo recente, mas existem também pérolas fora de linha que as empresas abandonaram para abrir espaço para novos e muitas vezes piores jogos. Nesse caso, na capa do jogo tem a foto/desenho (Photoshop está mais real que a realidade) de uma menina de 12 anos segurando um rifle. Papais e mamães de todo o mundo ficaram horrorizados e exigiram o banimento do jogo. Acontece que eles não jogaram o jogo, e portanto não sabem nada do que se trata. Eu sou a favor de meninas de 12 anos armadas? Claro que não. Mas a história do jogo, QUE NÃO É A REALIDADE, exige que para sobreviver em um mundo pós-apocalíptico, todos devem saber se defender. Na vida real, você precisa saber se defender de estelionatários, vigaristas, vendedores enganadores, políticos, chefes inescrupulosos, professores sádicos, psicopatas, ou seja, nem na vida real você está seguro completamente. Concluindo meu raciocínio, "The Last of Us" foi vencedor de 200 prêmios de O melhor jogo do Ano, na sua categoria.
O jogo faz você pensar em uma coisa, além de muitas outras: O exército pega um ser humano, e o transforma em uma máquina burra de matar tudo que se mexe. Mas, não seria melhor se as pessoas que tem esse poder de matar e manter a ordem, fossem as mais inteligentes e preparadas para esse tipo de responsabilidade? Eu não posso dizer mais nada porque ainda não joguei, não tenho nenhum console da oitava geração. Eu só tenho um PS2, mas tá sem jogos.
Acho que ficou um blog extenso, e tem muitos assuntos que eu queria discutir mas vamos ficar por aqui, obrigado pela leitura, até a próxima, abraços.
sábado, 13 de setembro de 2014
viajar
Bom dia, estou em uma viagem pelo interior, na casa da minha vó, e escrevendo pelo0,5G do celular, então desculpe a tosqueira. Minha vó foi criada no sítio, mas é uma mulher muito sábia, e conhece muito da vida. Na cidade grande, fico atormentado de preocupação com meu trabalho, com as contas a pagar, com o telefone tocando sem parar. A primeira coisa que minha vó disse quando me viu foi: "menino, você não está comendo direito? " Cara, eu levei um susto, porque fiquei doente com colesterol alto e gastrite, e estou fazendo dieta. Eu comecei a tentar explicar a dieta do médico, mas ela me interrompeu e disse:" você precisa é cuidar de você, porque essas (meninas) sonsas de hoje em dia não sabe cuidar de homem. " fiquei pensando. Sou uma pessoa independente. Não sou solitário, eu tenho muitas amizades, e tenho minha família. O que ela quis dizer com cuidar?
Vou refletir sobre o assunto, e semana que vem darei minha opinião, Abraços.
Vou refletir sobre o assunto, e semana que vem darei minha opinião, Abraços.
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